Personalidade Literária

Ignácio de Loyola Brandão

                                                                                                             Crédito Leticia Gullo
 

Ignácio de Loyola Brandão [*1936] tem várias paixões e talentos. Viveu experiências urbanas como repórter (jornal Última Hora), cronista (jornal O Estado de S. Paulo) e expressa suas paixões e inquietações em vasta obra literária. 


Escreveu sobre sua paixão no futebol, o São Paulo Futebol Clube; publicou textos infantojuvenis, narrou viagens, produziu biografias e relatos autobiográficos (Veia bailarina e A morena da estação). Escreveu três peças de teatro, onze livros de contos e crônicas e dez romances. Em não ficção, produziu um importante texto sobre questões ambientais (O manifesto verde, 1989). 

Sua obra contempla a problemática urbana das grandes cidades, os debates ecológicos e as consequências das violências contra a sociedade humana e a natureza. Suas trágicas ilações resvalam para o que ele mesmo denomina “apocalipse brasileiro”, expresso em sua trilogia distópica: Zero (1975), Não verás país nenhum (1981) e Desta terra nada vai sobrar, a não ser o vento que sopra sobre ela (2018). Nesses romances, ele mostra o cenário nacional submetido a uma tecnologia aniquiladora e opressora em termos político-sociais. 


Ignacio de Loyola Brandão recebeu vários prêmios literários, entre eles, quatro Jabutis em variadas categorias: 1º lugar em Infantil, em 2008, por O menino que vendia palavras; 2º lugar em Juvenil, em 2015, por Os olhos cegos dos cavalos loucos; e um Jabuti em Livro do Ano, em 2008, também por O menino que vendia palavras. Desde março de 2019, é membro da Academia Brasileira de Letras.


As angústias, contradições e ameaças das nossas sociedades contemporâneas são expressas em seus contos e romances de uma maneira voraz. Vivenciando a história recente, ele analisou as difíceis condições econômicas, políticas e sociais do Brasil e soube interpretar, até mesmo projetar em um futuro próximo a complexa realidade nacional. Há quase quarenta anos, ele escrevia em Não verás país nenhum: “Lembra-se quando líamos os livros de Clarke, Asimov, Bradbury, Vogt, Vonnegut, Wul, Miller, Wyndham, Heinlein? Eram supercivilizações, tecnocracia, sistemas computadorizados, relativo — ainda que monótono — bem-estar. E aqui, o que há? Um país subdesenvolvido vivendo em clima de ficção científica. Sempre fomos um país incoerente, paradoxal. Mas não pensei que chegássemos a tanto”. 


Reconhecer com clareza e lucidez a problemática em que vivemos é o primeiro passo para tomar consciência e propor medidas que transformem essa realidade. Nesse contexto, a obra de Ignácio de Loyola Brandão é um facho de luz em uma terra devastada, com suas cinzas e sombras, cores e esperanças. 

Foto: Crédito Leticia Gullo