História

A história do Prêmio Jabuti começa por volta de 1958, em um período repleto de desafios para o mercado editorial, como recursos escassos e baixa articulação do segmento. Apesar das adversidades, não faltava entusiasmo aos(às) dirigentes da Câmara Brasileira do Livro. As discussões para a criação do Prêmio foram comandadas pelo então presidente da entidade, Edgar Cavalheiro, e pelo secretário Mário da Silva Brito — intelectuais e estudiosos da literatura brasileira —, além de outros(as) integrantes da diretoria do biênio 1955-1957 interessados(as) em premiar autores(as), ilustradores(as), livreiros(as), editoras e gráficas que se destacassem a cada ano.

Essas discussões em torno de uma “láurea” ou “galardão”, como se dizia na época, ganharam forma na diretoria seguinte, de 1957-1959, presidida por Diaulas Riedel, a quem coube confirmar a figura do jabuti para nomear o prêmio e realizar o concurso para a confecção da estatueta, vencido pelo escultor Bernardo Cid de Souza Pinto. A primeira premiação ocorreu também na gestão do presidente Riedel. No final de 1959, no auditório da antiga sede da CBL na Avenida Ipiranga, foi feita a cerimônia do 1º Prêmio Jabuti. Foram premiados, entre outros, Jorge Amado, na categoria Romance, pela obra “Gabriela, Cravo e Canela”, e Isa Silveira Leal, na categoria Literatura Juvenil, pela obra “Glorinha”. A Saraiva ganhou o prêmio de Editora do Ano.

O maior diferencial do Prêmio Jabuti em relação a outros prêmios é a sua abrangência: além de valorizar escritores, ele destaca a qualidade do trabalho de todos(as) os(as) profissionais envolvidos(as) na criação e produção de um livro. Anualmente, editoras dos mais diversos segmentos e escritores(as) independentes de todo o Brasil inscrevem suas obras em busca da tão cobiçada estatueta e do reconhecimento que ela proporciona. Receber o Prêmio Jabuti é um desejo acalentado por aqueles(as) que têm o livro como instrumento de cultura.

 
Nome
 

Por que “jabuti” para nomear um prêmio literário? A resposta encontra explicação no ambiente cultural e político da época, influenciado, sobretudo, pelo modernismo e pelo nacionalismo, pela valorização da cultura popular brasileira, das raízes indígenas e africanas, de suas figuras míticas, símbolos seculares carregados de sabedoria e experiência de vida e legados de uma geração à outra. Sílvio Romero, Mário de Andrade, Monteiro Lobato e Luís da Câmara Cascudo, entre o final do século XIX e o início do século XX, foram pioneiros na pesquisa, no estudo e na divulgação dessa rica cultura popular.

E foi Monteiro Lobato, provavelmente, o mais prolífico na recriação literária das histórias desses personagens meio enigmáticos, meio reveladores e sempre sedutores do folclore nacional. Um desses personagens da literatura infantil de Lobato é, como se sabe, o jabuti. O pequeno quelônio, já familiar no imaginário das culturas indígenas tupi, ganhou vida e personalidade nas fabulações do autor das “Reinações de Narizinho”, como uma tartaruga vagarosa, mas obstinada e esperta, cheia de tenacidade para vencer obstáculos, para superar concorrentes mais fortes e chegar à frente ao final da jornada. Com essas credenciais, o jabuti ganhou também a simpatia e a preferência dos(as) dirigentes da CBL, que o elegeram para inspirar e patrocinar um prêmio que homenageia e promove o livro.
 

Trajetória
 

Ao longo dos seus 63 anos, o Prêmio Jabuti passou por transformações. No início, a cerimônia de entrega das estatuetas era feita na antiga sede da entidade, na Avenida Ipiranga. Depois, passou a ser realizada durante as Bienais do Livro. Mas o Prêmio Jabuti ganhou vida própria, e os diretores da CBL sentiram a necessidade de criar um evento proporcional à sua credibilidade junto ao mercado editorial e à própria sociedade. Em 2004, ocorreu a primeira grande cerimônia, realizada no Memorial da América Latina, local onde se repetiu a celebração em 2005. Logo depois, a grande festa do livro do Brasil ganhou um dos espaços mais nobres da capital paulista, a Sala São Paulo. De 2014 a 2019, o evento foi realizado no Auditório Ibirapuera Oscar Niemeyer, em São Paulo.

No regimento interno do prêmio, criado em 1959, constavam apenas sete categorias: Literatura, Capa, Ilustração, Editora do Ano, Gráfica do Ano, Livreiro(a) do Ano e Personalidade Literária. Em época mais recente, começaram a ser contempladas todas as esferas envolvidas na criação e produção de um livro, com a adição de Adaptação, Projeto Gráfico e Tradução, além das categorias tradicionais como Romance, Contos, Crônicas, Poesia, Literatura Infantil, Literatura Juvenil, Reportagem e Biografia.

Uma iniciativa que trouxe mais encanto foi a criação das categorias Livro do Ano de Ficção, em 1991, e Livro do Ano de Não Ficção, em 1993. Revelados somente na noite da entrega das estatuetas, estes prêmios são o ponto alto do evento, em um momento de grande expectativa para todos os profissionais do mercado editorial.
Em 2015, o Prêmio inovou com a inclusão da categoria Infantil Digital, que abrangia conteúdo para o público infantil combinado a elementos multimídia. Nesse mesmo ano, foi criado o projeto “Jabuti entre Autores e Leitores” com o objetivo de promover encontros com os ganhadores do prêmio em bibliotecas, livrarias, universidades e eventos literários nacionais.

A partir de 2017, o Prêmio Jabuti passou a contemplar duas novas categorias: Histórias em Quadrinhos e Livro Brasileiro Publicado no Exterior. Esta última, conta com o apoio do Brazilian Publishers, projeto setorial de fomento às exportações de conteúdo editorial brasileiro, resultado da parceria firmada entre a CBL e a Apex-Brasil - Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos. Por sua abrangência, o Jabuti é considerado o maior e mais completo prêmio do livro no Brasil.  


Novo Prêmio Jabuti

Em 2018, o Prêmio Jabuti completou 60 anos e foi completamente repaginado, com o objetivo de aproximá-lo mais do leitor e de torná-lo mais competitivo entre autores(as) e editoras, fortalecendo ainda mais sua posição como o mais almejado prêmio literário do país. Mais uma vez, a inovação se fez presente com a adoção de medidas para acolher os autores(as) independentes, aprimorar a gestão da estrutura do prêmio e aperfeiçoar os critérios de análise das obras.

As categorias do Prêmio Jabuti foram reorganizadas em quatro eixos: Literatura, Ensaios, Livro e Inovação. A mudança serviu para racionalizar e qualificar as áreas do conhecimento e para que o prêmio se tornasse ainda mais abrangente. Para prestigiar ainda mais os vencedores(as), o Jabuti passou a ter somente um ganhador por categoria. A premiação mudou para que a revelação dos ganhadores(as) de cada categoria e do Livro do Ano passasse a ocorrer apenas na cerimônia de premiação. E, ainda neste ano, foi lançada a categoria Formação de Novos Leitores para reconhecer iniciativas de estímulo à leitura.

A partir de 2019, a curadoria foi assumida por um novo conselho curador, responsável por adequações nas categorias Literatura, Ensaio e Livro. Foi retomada a divulgação dos finalistas em duas etapas, das dez e cinco obras finalistas e criado o “Esquenta Jabuti”, evento que precedeu a cerimônia de premiação e contou com a presença da Personalidade Literária homenageada na edição, a escritora Conceição Evaristo.

Este mesmo conselho curador foi responsável pelas inovações do 62º Prêmio Jabuti para oferecer mais clareza aos(às) participantes para inscrição de suas obras. Assim, foi criada a categoria Romance de Entretenimento, e a categoria denominada Romance teve seu nome alterado para Romance Literário. A motivação dessa mudança foi possibilitar que obras dos gêneros policial, fantasia e ficção científica, entre outros, também recebessem o selo de qualidade do Jabuti. No eixo Ensaios, a categoria Humanidades foi substituída por outras duas: Ciências Humanas e Ciências Sociais, visando adequar a distribuição das temáticas à classificação básica seguida tanto pela Capes [Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior] quanto pelo CNPq [Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico].

Diante da pandemia decretada desde março de 2020, a CBL tomou a decisão de preservar todos os participantes dos riscos de um encontro presencial. Assim, pela primeira vez em sua história, a cerimônia do 62º Prêmio Jabuti foi realizada em formato totalmente virtual, seguindo as normas e protocolos de segurança para a equipe de produção. A iniciativa possibilitou que mais de 22 mil pessoas espalhadas por todo o país acompanhassem a transmissão da entrega das estatuetas das 20 categorias, do Livro do Ano, da Personalidade Literária, a escritora Adélia Prado, em tempo real pelas redes Youtube e Facebook da CBL. A 62ª edição exaltou ainda duas iniciativas da Câmara Brasileira do Livro para apoiar o mercado editorial durante o primeiro ano de enfrentamento da Covid-19: as campanhas “Retomada das Livrarias” e #defendaolivro.

De todas as transformações e melhorias realizadas ao longo de sua existência, o legado evidente do Jabuti é sua capacidade de atualização e transparência, características marcantes de seu regulamento e reconhecidas por todos os que produzem informação, conhecimento e arte no Brasil.